Fica difícil explicar porque eu treino Karatê. Se um não fumante pede justificativas lógicas a um fumante sobre o porquê de ele persistir no uso do fumo, com certeza não receberá nenhuma justificativa convincente como resposta, até porque nada justifica esse vício tão autodestrutivo. Trata-se de algo sem nenhum motivo aparente. A prática do Karatê passa a ser uma coisa óbvia para quem pratica e coisa inexplicável para o leigo. O Karatê naturalmente tornou-se algo óbvio para mim. Não tem como explicar ou justificar isso. É como respirar. É algo imprescritível...
Descobri algo mais, no meu treino continuado, tal como essa relação particular que se estabelece entre professor, aluno e companheiros de treinos. Às vezes fica complicado saber quem é quem; o professor torna-se aluno, o aluno passa a ensinar ao parceiro de treino e assim o professor descobre novas perspectivas dentro do ensino-aprendizagem. Essa sinergia bem particular permite reunir e recriar, num mesmo ambiente, todas as condições necessárias para o fortalecimento da vida em sociedade.
Eu talvez pudesse ter descoberto isso, escolhendo outra arte marcial. Talvez batucando a beira-mar ao som de berimbaus em contato com mestres de Capoeira de origem africana. Creio que tudo o que necessita de tal implicação e investimento pessoal, pode favorecer tamanhas descobertas. Mas aconteceu para mim no Karatê. Não sei se foi destino, propósito divino ou acaso. Pouco importa. Aconteceu...